Esta opção irá voltar ao original a home e restaurar todos os widgets e categorias fechados.

Reset

Os mitos do diabetes

Os mitos do diabetesExistem muitas histórias sobre o diabetes, muitas delas fruto de crendice popular ou de conhecimentos antigos sobre a doença, quando se achava que o problema do diabético era apenas o açúcar, pois o diagnóstico era feito pelo doce da urina (que normalmente atraía a presença de formigas).


Diabético pode comer só alimentos sem açúcar

Isso é um mito, tudo depende de tipo de tratamento e da quantidade de açúcar. O tipo de carboidrato ingerido (massas, açúcar, grãos) influencia a velocidade que a glicose aumenta no sangue, mas a quantidade de carboidratos ingerida influencia ainda mais na glicemia. Como qualquer pessoa, o diabético deve evitar alimentos que contenham açúcar demais e poucos nutrientes, pois são calorias vazias. Consumir grandes quantidades de carboidratos (pode ser um doce ou uma macarronada) prejudicam o tratamento, pois aumentam de uma vez a glicemia, então o melhor é ter moderação, mas essa dica vale para qualquer um. è bom ficar atento pois alguns produtos diet que não possuem açúcar na composição possuem a mesma quantidade de carboidratos que um produto com açúcar, nesse caso a escolha o que achar mais saboroso.

Diet é o alimento que o diabético pode comer, não o light

Mito. De acordo com a legislação brasileira, o produto light deve apresentar uma redução 25, ou mais, de calorias ou de algum nutriente, como açúcar, gordura. Já o produto diet ou zero, deve ser isento de algum componente, como sal ou açúcar, como explica Mariana Del Bosco, nutricionista e membro da ABESO. Os produtos diet para diabéticos devem então ser isentos de açúcar, o que não garante que vão ter poucos carboidratos. Os produtos light podem ter uma quantidade reduzida de carboidratos, nesse caso seriam mais indicados. O ideal é verificar sempre a tabela nutricional do produto para avaliar suas vantagens e desvantagens. Um produto com poucos carboidratos e muita gordura saturada é mais prejudicial que um com mais carboidratos e menos gordura. Lembrando que os carboidratos devem estar presentes na dieta de forma equilibrada para fornecer energia para o corpo. (Entenda a alimentação do diabético)

Mulher diabética não pode engravidar

A mulher diabética pode engravidar como qualquer outra, mas precisa tomar cuidados redobrados para garantir a saúde do bebê. No caso do controle da doença não estar adequado é possível que a gravidez seja mais difícil e a criança pode ter uma série de problemas de desenvolvimento e nascer acima do peso. O controle durante a gravidez é feito com dieta, exercício e insulina, mesmo que a diabética seja do tipo 2 e faça uso de medicamentos orais, durante a gravidez ela passará a utilizar insulina e pode voltar aos medicamentos depois se o médico achar melhor. As mudanças hormonais durante a gravidez podem deixar o controle mais difícil (muitas hiperglicemias e hipoglicemias), por isso as medições constantes são essenciais. Existe também a diabetes gestacional que pode desaparecer após a gravidez, mas mulheres com esse tipo de diabetes tem maior propensão a ter diabetes tipo 2 nos anos seguintes. A gravidez de uma mulher diabética é de alto risco e é preciso controlar o peso durante toda a gestação, antes de pensar em engravidar recomenda-se que o controle já esteja dentro das metas (veja as metas glicêmicas). Se a glicemia está muito alta durante a gestação o bebe pode ter hipoglicemia ao nascer, pois seu pâncreas está produzindo muita insulina para corrigir as altas glicemias, ele deve ficar em observação até estabilizar a glicemia.

Diabético é sempre obeso?

Não, A obesidade é um fator de risco para o diabetes e indivíduos obesos com diabetes tipo 2 tem chance de reverter a doença se emagrecem. Mas existem pessoas com diabetes tipo 2 que não são obesas, possuem resistência à insulina por fatores genéticos ainda desconhecidos. Existe também o diabetes tipo 1 que acomete jovens, em geral magros.

Eu era diabético tipo 2, mas o médico me receitou insulina, agora sou tipo 1

Isso é um mito, o diabético tipo 1 produz pouca ou nenhuma insulina e o único tratamento possível para ele é a insulina injetável. Os diabéticos tipo 2 têm resistência à insulina, quando essa resistência é muito alta o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente, por isso é necessária a aplicação de insulina. Pode ser que no momento do diagnóstico o diabético tipo 2 precise de insulina para controlar a glicemia e depois passe a conseguir um bom controle com medicamentos orais. Mudanças de hábitos de vida como dieta, exercícios e perda de peso também pode ajudar o diabético tipo 2 a controlar a doença sem insulina. Já o diabético tipo 1 não tem alternativa ao uso de insulina, por maiores que sejam as mudanças nos hábitos de vida. Alguns médicos recomendam o tratamento com insulina em diabéticos tipo 2 desde o início para poupar o pâncreas do esforço de produzir mais insulina que o normal para vencer a resistência a ela, mas ainda não se sabe ao certo se isso ocorre. (Entenda o tratamento de diabetes tipo 1 e tipo 2

Depois que começou a usar insulina não vai nunca mais parar

Isso depende do caso. Se a pessoa é diabética do tipo 1 vai ter que tomar insulina para o resto da vida, a não ser que faça um transplante de pâncreas ou que a cura da doença seja encontrada. Já o diabético do tipo 2 pode precisar de insulina no momento do diagnóstico ou em alguma situação de descontrole da glicemia e depois conseguir controlar apenas com medicamentos. Esses diabéticos também podem fazer grandes mudanças nos hábitos de vida, como se exercitar mais, perder peso e mudar a dieta, dessa forma podem melhorar seu quadro e não precisar de aplicações de insulina.

Comer muitos doces causa diabetes

O mito de que comer açúcar causa diabetes é comumente aceito pelas pessoas, mas pesquisas mostram que isso não é verdade. Comer açúcar não tem nada a ver com o desenvolvimento de diabetes tipo 1. Já o diabetes tipo 2 tem mais a ver com hábitos de vida e alimentares, mas está relacionado com a gordura corporal. Excesso de doces, assim como o de carnes e mesmo do arroz e feijão causam o aumento de peso e aumentam o risco da diabetes tipo 2, então o comer demais e não o comer doces que aumenta o risco de diabetes.

Diabetes é hereditária, não há nada que eu possa fazer para evitar

Diabetes tem um fator hereditário, mas no caso do tipo 2, há sim meio de retardar o aparecimento e até prevenir. Bons hábitos de vida, boa alimentação, exercícios regulares e controle do peso aumentam a sensibilidade à insulina e controlam o diabetes tipo 2. Acredita-se que não só os genes, mas os maus hábitos alimentares passados de uma geração para a outra são causa da diabetes do tipo 2. Já o diabetes tipo 1 tem causa desconhecida. Sabe-se que possui alguma influência hereditária, pois há um aumento da probabilidade da doença em pessoas com parentes próximos também diabéticos tipo 1, essa probabilidade aumenta se a pessoa teve a doença na infância. Mas a genética não é a única responsável pelo aparecimento da doença e ela pode ocorrer em pessoas sem nenhum histórico familiar conhecido, as causas do processo que leva ao diabetes do tipo 1 são ainda desconhecidas.

Existem alimentos que curam o diabetes como a geleia real e o chá de pata de vaca

Até hoje não há a comprovação de nenhum alimento que cure o diabetes, seja do tipo 1 ou do tipo 2. O que pode ajudar o controle da doença é uma dieta balanceada e a perda de peso. Alguns alimentos, como o chá de pata de vaca são hipoglicemiantes e podem causar uma certa diminuição da glicemia, mas como não há como ter certeza da dose e do efeito, ele pode causar hipoglicemias, especialmente quando interage com a medicação prescrita pelo médico.

Diabetes tipo 2 é normal da velhice

Diabetes não é normal, é um distúrbio metabólico. Mas o diabetes do tipo 2 tem alta incidência na velhice e o risco da doença aumenta com a idade. Não se sabe exatamente por que a doença se manifesta em pessoas mais velhas, mas metade dos casos de diabetes do tipo 2 dos Estados Unidos são de pessoas acima dos 55 anos. O diabetes tipo 1 é comum em crianças e é raro acima dos 30 anos.

Diabético não pode consumir bebidas alcoólicas

A bebida pode atrapalhar o controle do diabetes e deve ser consumida com moderação, mas não é proibida. O álcool causa a diminuição da glicose sanguínea, podendo causar hipoglicemias graves se consumido em excesso (entenda o que é hipoglicemia). Bebidas ricas em carboidratos (bebidas doces ou cerveja) elevam a glicemia logo depois de ingeridas e podem causar hipoglicemias mais tarde, dificultando o controle. Se consumidas em pequenas doses, seu efeito é pequeno e não causam danos. Outro problema do consumo de bebidas em exagero é que a confusão mental causada pelo álcool pode mascarar os efeitos de uma hipoglicemia, sem perceber a pessoa pode perder a consciência, além disso, alcoolizado o diabético tem dificuldade para fazer medições e aplicações de insulina, se não tiver ajuda de alguém que conheça a doença, corre sérios riscos.


Insulina humana é tirada de pessoas

Isso é um mito, a insulina humana tem esse nome por ter uma formulação parecida com a encontrada no nosso corpo, mas ela é sintética, feita em laboratório. As primeiras insulinas utilizadas eram extraídas de porcos e purificadas, depois disso começaram a ser utilizadas insulinas de boi e a mistura das duas. No Brasil as insulinas de origem animal não são mais utilizadas, apenas as sintéticas, mas em alguns países ainda é possível encontrar insulinas de porco e boi.

Insulina emagrece

Isso é um mito, a insulina em geral causa ganho de peso. Sem insulina o corpo não consegue usar a glicose e fica sem energia, por isso utiliza proteínas e gorduras para suas atividades, por isso na falta de insulina a pessoa perde peso. Mas essa perda de peso não é saudável e nem é possível mantê-la. Geralmente os diabéticos tipo 1 tem maior perda de peso sem tratamento pois sua glicemia atinge em geral valores mais altos. Além do mal estar causado pela quantidade exagerada de glicose na corrente sanguínea, a pessoa corre o risco de desenvolver as complicações da doença. Como as proteínas também são transformadas em energia no período de desequilíbrio da glicose, o corpo perde músculo, que é um tecido que gasta muitas calorias. Depois que o tratamento é retomado, o risco de ganhar ainda mais peso é grande.

A insulina estimula a entrada de glicose nas células para serem transformadas em energia ou armazenadas (por exemplo como gordura). Mas o que engorda não é a insulina e sim o que se come. Se bem administrada com uma alimentação balanceada a insulina não causa nem ganho nem perda de peso

Formigas na urina é sinal de que o rim já está falhando

Mito. As formigas na urina mostram que deve haver glicose (açúcar) na urina e eram utilizadas como diagnóstico no início da doença. Em geral o diabético apresenta glicose na urina na época do diagnóstico, quando a glicemia está muito alta e quando o controle não está bom, pois o rim elimina o açúcar para tentar diminuir a glicose sanguínea. Os danos nos rins (nefropatia) geralmente acontecem quando a glicemia está alta há muito tempo (alguns anos) e são diagnosticados por exames de proteínas na urina (devem ser feitos pelo menos uma vez por ano) e as proteínas não atraem formigas. (veja mais sobre as complicações do diabetes)


Quem está tomando insulina é por que está num estágio mais avançado da doença, mas se melhorar pode parar com a insulina

A diabetes é uma doença crônica, o que quer dizer que ela vai acompanhar o paciente por toda a sua vida. O tratamento com insulina é um tipo de tratamento possível para o diabético tipo 2 e que geralmente é utilizado quando a glicemia não foi controlada com remédios, dieta e exercício, mas não significa que a doença é mais ou menos grave e o diabético tipo 2 pode eventualmente parar de tomar insulina se tiver mudanças de hábitos de vida ou perda de peso considerável que facilitem o controle com outros tipos de tratamento.

Mas o diabético tipo 1 vai tomar insulina desde o diagnóstico, pois para esse tipo de diabético a insulina é o único tratamento eficiente, já que ele não produz essa substância essencial para a sobrevivência. O fato desse diabético fazer aplicações de insulina não significa que ele está mal, e não há nada que ele possa fazer para “melhorar” e parar de fazer essas aplicações. A não ser que o controle seja muito difícil ou ele já tenha complicações graves e os médicos recomendem o transplante de pâncreas, esse tipo de diabético ira aplicar insulina (por seringa, caneta ou bomba de infusão contínua) para o resto da sua vida ou até a cura da doença ser encontrada.

Fontes: International Diabetes Federation (IDF), Denise Reis Franco (endocrinologista diretora da Associação de Diabetes Juvenil – ADJ), Maristela Bassi (nutricionista da ADJ), Saulo Cavalcanti (endocrinologista presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes – SBD), João Eduardo Nunes Salles (endocrinologista e professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo), American Diabetes Association, Associação Nacional de Assistência ao Diabético (Anad)

Retirado de Click Sergipe

Deixe o seu comentário!

Powered by Facebook Comments