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Diabetes infantil: o que fazer?

Ainda não existe cura para o problema. Mas tratamento correto pode garantir uma vida praticamente normal

Diabetes infantil: o que fazer? A criança ou o adolescente passa a urinar com mais frequência e em grande quantidade. Muitas vezes, precisa levantar à noite para ir ao banheiro. A sede aumenta. Tem mais fome, mas vem emagrecendo ou não consegue ganhar peso. Pode também apresentar vista embaçada, irritabilidade, fraqueza ou falta de disposição para as atividades diárias. Em algumas situações, os pais demoram a perceber ou dar atenção a esses sinais que podem ser indicadores de diabetes.

Nas crianças e adolescentes, a imensa maioria dos casos é de diabetes tipo 1 (DM1), caracterizado pela diminuição ou ausência de produção pelo pâncreas de um hormônio chamado insulina. Nos adultos, a maioria dos casos é de diabetes tipo 2, uma doença diferente, mas com nome semelhante. O diabetes tipo 2 está frequentemente associado à obesidade, e o paciente produz insulina, mas sua ação é deficiente.

Causas do DM1

Não se sabe exatamente o motivo que leva algumas crianças e adolescentes a adquirirem diabetes tipo 1, mas é certo que há uma tendência hereditária para adquiri-la. “A hipótese mais aceita é que haja uma combinação de predisposição genética e fator ambiental, como uma infecção viral que a criança adquira. Essa combinação levaria a uma resposta imunológica inadequada, originando a produção de anticorpos que passariam a destruir progressivamente as células beta pancreáticas produtoras de insulina”, explica a Dra. Teresa Cristina A. Vieira, endocrinologista pediátrica do Einstein.

Trata-se, portanto, de uma doença autoimune. “Em 90% dos casos de DM1, é possível identificar a presença de anticorpos contra as células beta”, diz o Dr. Hilton Kuperman, pediatra e endocrinologista pediátrico do Einstein. É também possível que fatores emocionais, como situações de forte estresse, possam estar relacionadas ao desencadeamento do diabetes. Mas isso certamente não significa que uma repreensão do pai ou da mãe vá desencadear o diabetes.

No público infanto-juvenil, o DM1 se manifesta com maior frequência entre os 4 e 6 anos ou a partir dos 10, embora seja cada vez mais presente em crianças menores. “Um agravante é que os sintomas só costumam a aparecer quando já houve uma perda de cerca de 90% da reserva das células pancreáticas responsáveis pela produção de insulina. Ou seja, a criança pode estar com o problema há semanas ou meses sem que ninguém perceba. O diagnóstico precoce, no entanto, é fundamental”, pontua o Dr. Kuperman.

Diagnóstico

Entender o que é a insulina e o que acontece na falta deste hormônio ajuda a compreender os sinais e sintomas de diabetes tipo 1 da criança:

  • A insulina é o hormônio envolvido no transporte do açúcar (glicose) para dentro das células, para ser usado como fonte de energia. Sem insulina, a glicose não consegue passar do sangue para dentro das células. Assim, a glicose acumula-se no sangue, e as células ficam sem energia. Nesse ponto, a criança apresenta muita sede, urina demais, tem fome, come muito, sente-se cansada e sem energia.
  • O organismo, então, mobiliza seu estoque de gordura como combustível, o que resolve temporariamente o problema de falta de energia, mas faz a criança emagrecer. Ainda mais: a utilização da gordura para esse fim causa um efeito indesejável: a formação de corpos cetônicos (ou cetonas), que são tóxicos e ácidos para o organismo. Eles são excretados pelos rins e podem ser visualizados na urina quando se coloca uma tira reagente específica em contato com a urina recém-emitida.
  • Quando a formação de corpos cetônicos passa a ser constante e intensa, os rins alcançam seu limite máximo de capacidade de excreção, e os corpos cetônicos passam a se acumular no sangue. Nesse momento, se a criança ainda não for tratada, o acúmulo de corpos cetônicos tornará o sangue ácido (acidose metabólica), provocando os seguintes sintomas progressivamente: perda de apetite, dor de estômago, hálito doce, vômitos, respiração rápida e profunda e coma.
  • O único tratamento capaz de recolocar o organismo da criança em equilíbrio é a reposição de insulina. É por esta razão que os pais, percebendo sintomas como os descritos acima, devem procurar o médico da criança, que deverá avaliá-la prontamente.
  • O controle adequado do DM1 diminui o risco de complicações de longo prazo.

Tratamento

O tratamento do DM1 baseia-se no tripé: 1) automonitorização com reposição controlada de insulina; 2) dieta saudável com contagem de carboidratos; 3) exercício físico regular.

1. Automonitorização da glicemia capilar e reposição de insulina:

Para se conseguir uma insulinoterapia adequada deve-se realizar a automonitorização da glicemia capilar. Esta consiste de um teste sanguíneo, no qual uma gota de sangue é obtida da ponta do dedo através da punção da pele com uma lanceta. A gota é colocada numa tira reagente acoplada a um aparelho chamado glicosímetro, e a leitura da glicemia é imediata. A automonitorização da glicemia capilar deve ser realizada várias vezes ao dia (em jejum, antes das refeições e, às vezes, após as refeições e ao deitar), pois dela dependerá o ajuste da dose de insulina.

A insulina deve ser injetada por via subcutânea, pois se for administrada por via oral será destruída no estômago. A administração de insulina pode ser realizada de duas maneiras: através de múltiplas aplicações com caneta ou seringa de insulina ou através de um sistema contínuo de injeção de insulina, conhecido como bomba de insulina. Ambos os métodos permitem um bom controle do DM1. A escolha de que método será usado dependerá de uma avaliação detalhada do médico, em sintonia com o desejo e a necessidade de seu paciente.

A dose de cada aplicação de insulina depende de vários fatores. Os mais importantes a serem considerados são: o valor da glicemia capilar (em jejum, antes e após as refeições), a alimentação e a atividade física da criança ou do adolescente naquele dia.

2. Dieta saudável: a alimentação equilibrada, contendo carboidratos, proteínas, legumes, verduras, leite e derivados e frutas é fundamental para o crescimento e para o bom controle do diabetes.

Deve-se aprender a contar os carboidratos da dieta para poder aplicar a insulina necessária para aquela quantidade de carboidratos ingerida. “Se a pessoa comer um prato de macarrão, a quantidade de insulina será diferente daquela recebida se a pessoa tiver consumido um filé de frango com duas colheres de arroz e salada”, exemplifica a Dra. Teresa.

3. Por fim, completando o tripé, a atividade física se configura como recurso terapêutico valiosíssimo, pois “o exercício físico regular aumenta a sensibilidade à insulina e torna mais fácil o controle do DM1”, explica o Dr. Kuperman.

Ainda não há cura para o DM1. Há pesquisas em andamento envolvendo transplante de ilhotas pancreáticas, células-tronco pancreáticas e terapia imunológica.

Educação em diabetes

Para o sucesso do tratamento do DM1, dois fatores são imprescindíveis: engajamento da família e educação em diabetes. O objetivo principal é que o paciente se torne capaz de controlar seu diabetes com independência e competência.

Com o suporte de uma equipe multidisciplinar, composta por médico, enfermeira, nutricionista, psicóloga e educador físico, o paciente e familiares devem ser envolvidos num processo de aprendizagem gradual e contínuo. Esses profissionais estão habilitados a ensinar os fundamentos teórico e prático do DM1, o monitoramento da glicemia capilar, a contagem de carboidratos, a administração da dose correta de insulina e a orientar a respeito do esporte como uma necessidade que deve se tornar um hábito prazeroso.

A educação em diabetes compreende ainda a sensibilização do paciente e de seus familiares para a necessidade de um acompanhamento médico regular e exames periódicos de controle.

  • A criança com diabetes deve comparecer às consultas pediátricas de rotina e ao endocrinologista e equipe multidisciplinar trimestralmente, ou em tempo menor, quando necessário. O acompanhamento nutricional é necessário até que os pais e a criança estejam confortáveis e compreendam a nova rotina.
  • Exames laboratoriais serão solicitados trimestralmente pelo endocrinologista para avaliar o controle de longo prazo do diabetes.
  • Também fazem parte da rotina da criança diabética as consultas semestrais com o odontologista e anuais com o oftalmologista.
  • Algumas vezes, outros especialistas poderão ter que ser consultados, como o nefrologista e o gastroenterologista.

O futuro da criança ou do adolescente com diabetes

A criança diabética pode levar uma vida praticamente normal, participando de todas as atividades das quais as crianças sem diabetes participam. Quando adultos, serão perfeitamente capazes de ter uma vida tranquila e produtiva, como é evidenciado por atletas, artistas e músicos famosos que têm diabetes. “Se a criança ou adolescente com DM1 aprender desde cedo a se cuidar e puder contar com a participação de todos que estão ao seu redor terá um grande sucesso no controle do diabetes”, conclui o Dr. Kuperman.

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Fonte: Albert Einstein

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