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Cirurgia bariátrica para diabetes tem novas regras

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

A Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) divulgou pela primeira vez um documento com diretrizes para a realização da cirurgia bariátrica em pacientes com diabetes.

O relatório traz regras mais precisas e rígidas para fundamentar a opção de tratamento via redução de estômago. Entre elas, há a recomendação de exames pré-operatórios mais sofisticados (de retina e de avaliação da função do fígado, por exemplo).

O documento considera a cirurgia uma opção para diabéticos com IMC (índice de massa corporal) entre 30 e 35.

No entanto, essa indicação para pessoas com obesidade leve só vale em casos excepcionais, quando o diabetes não é controlável clinicamente e há risco cardíaco.

O texto afirma que a prioridade da cirurgia continua sendo para pacientes com obesidade mórbida (IMC acima de 40), ou moderada (acima de 35) com doenças relacionadas, como o diabetes.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina estabelece que a cirurgia só é indicada para esses dois casos.

O texto “The IDF Taskforce on Epidemiology and Prevention” foi apresentado na segunda, no Congresso de Intervenção para Terapia do Diabetes Tipo 2, nos EUA, que terminou anteontem.

O documento foi redigido por 20 endocrinologistas, cirurgiões e especialistas em saúde pública de diversos países, incluindo o Brasil.

Ivan Luiz/Arte

OUTROS MARCADORES

Para Bruno Geloneze, coordenador do laboratório de metabolismo e diabetes da Unicamp e um dos autores do texto, a questão do IMC é a menos importante.

“O documento discute todas as questões ligadas à cirurgia, focadas no paciente. É mais do que falar ‘baixou o IMC’ e afunilar a discussão.”

Saulo Cavalcanti, endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, diz que a cirurgia deve ser considerada um tratamento complementar.

“É uma arma a mais para quem não consegue controlar a doença. Não é mágica para a cura, e só o endocrinologista pode indicá-la.”

Segundo Geloneze, é preciso aprimorar a seleção de pacientes com obesidade leve candidatos à cirurgia. “Vamos ter que achar outros marcadores, além do IMC.”

De acordo com Ricardo Cohen, presidente da Sociedade de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a recomendação da IDF levará as sociedades médicas a discutir as regras.

“Queremos que o IMC não seja mais critério para a cirurgia. É preciso tratar o doente como um todo, não só pelo peso. Há diabéticos não obesos que poderiam se beneficiar da operação.”

Ele lembra que há pacientes com diabetes que engordam apenas para poder fazer a cirurgia e, com isso, pioram o prognóstico da doença.

O texto da IDF estabelece também quais são as cirurgias eficazes e quais são experimentais. Novas técnicas, agora, terão que mostrar, por meio de estudos, benefícios iguais ou superiores aos das cirurgias clássicas.

Fonte: NETOG

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