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Diabetes – O Inimigo Silencioso – Série Fantástico Episódio 3

Diabéticos com baixa renda têm dificuldade para fazer tratamento

 

Diabetes exige controle rigoroso. Além de disciplina alimentar e atividade física diária, é necessário acompanhamento médico e aí é que mora o problema para quem não tem plano de saúde.

A Aline é uma jovem de 21 anos da zona norte de São Paulo. Ela descobriu que tem diabetes um ano atrás e acha que está tomando todos os cuidados, mas só agora conseguiu um aparelho para medir a glicose.

“Estou bem. Estou ótima, só com a boca seca”, relata Aline.
Mas o aparelho registra 576. O diabetes de Aline está completamente fora de controle. Ela vem seguindo o tratamento à risca e não exagerou nos doces e nem nas massas. O que será que aconteceu?

 

“Eu pesava 72kg, mas aí a minha sogra falou assim: ‘A Aline está emagrecendo demais’. E realmente, eu estava me sentindo mal, estava me sentindo fraca. Eu já levantava ofegando, bastante cansada, não conseguia pentear o cabelo, tinha que fazer pausas. Aí foi quando eu fui no médico, ele pediu para eu fazer o exame de glicemia e eu estava com 347. Aí a moça me perguntou: ‘Você é diabética?’ e eu falei ‘Não’”.

 

Pela manhã, ainda em jejum, glicemia deve estar abaixo de 100. Com sintomas e glicemia em 347, o diagnóstico de Aline é claro: diabetes. Agora, para escolher o tratamento mais adequado é preciso saber se ela tem diabetes do tipo 1 ou do tipo 2.

Para isso, é necessário acompanhamento médico. E aí começam os problemas de quem depende do serviço público de saúde no Brasil. “Eu descobri que estava com diabetes e desde então venho tentando marcar. Quando eu passo mal, eu tomo soro com o medicamento que eles colocam, a insulina, e depois volto para casa”, lamenta Aline.

 

Infelizmente, o caso de Aline não é único. A dificuldade para conseguir acompanhamento pelo sistema público coloca muitos portadores de diabetes na mesma situação que ela. Quando passam mal, são obrigados a ir ao pronto-socorro; lá recebem soro para hidratação e insulina. Melhoram e são mandados de volta para casa. Mas o problema não foi resolvido. Alguns dias mais, nova crise. Pronto-socorro outra vez.

Depois de muitas tentativas, Aline consegue ser atendida por um médico. “Foi bom, esclareceu algumas dúvidas que eu tinha. Ele pediu que eu tomasse em maior dosagem os comprimidos e ainda não pediu a insulina porque a diabetes está sob controle. Pela primeira vez, desde que eu descobri, ela está em 191”, conta.
Diabetes exige controle rigoroso. Não dá para levar na brincadeira. Além de disciplina alimentar e atividade física diária, há necessidade de acompanhamento médico. Principalmente nos primeiros meses. É nesse período que o médico vai descobrir que tipo de diabetes você tem e qual é o tratamento mais adequado. Nem sempre é simples. É preciso receitar os remédios e analisar os efeitos para ajustar as doses mais adequadas para o seu caso.

Depois de esperar mais de dois meses para conseguir uma consulta, Aline começou o tratamento sem saber se sofria de diabetes do tipo 1 ou do tipo 2. Ela conta que ficou quatro tomando apenas comprimidos até que os médicos percebessem que ela precisava de insulina de fato. “Essa demora ocorreu pelo fato de às vezes não haver vaga ou por eu estar ocupada, atarefada e não poder ir. É a demora mesmo do sistema”, explica Aline.

Quatro meses de tratamento só com comprimidos não deram resultados porque na verdade Aline tem diabetes tipo 1 – e não do tipo 2. No tipo 1, o pâncreas não produz insulina e o paciente precisa tomar injeções de insulina todos os dias.

Aline diz sentir a diferença desde que começou a usar insulina.

“Eu percebi que a minha massa muscular deu uma melhorada, porque – quando eu fiquei doente – eu fiquei sem nenhuma massa muscular, sem força nas mãos”.

Por lei, o governo tem obrigação de fornecer os medicamentos necessários para o controle do diabetes, o aparelhinho medidor de glicemia e as tiras necessárias para fazer a medição.

Quem depende de insulina, tem o direito de receber também as seringas as agulhas, mas tudo isso deve ser feito com controle médico. Wolf também tem diabetes, mas não depende do sistema público de saúde. Ele descobriu o diabetes tarde, quando as complicações já estavam instaladas. O diabetes também faz o bolso sofrer.

“Quando você tem diabetes e se torna insulino-dependente, você tem que associar uma série de outros remédios. Para te dar uma idéia de grandeza, as despesas com comprimidos que você tem que tomar ao longo de um mês ficam entre R$ 500 e R$ 800”, calcula.

“Está no seu orçamento, tal qual a taxa de condomínio, água, luz e telefone, tem a sua conta de farmácia, que você vai ter que gastar todo mês. E é interminável. Imagino que, juntando-se os honorários médicos à parte do hospital, certamente já ficou acima do preço de um carro popular. Ou seja: é muito caro no Brasil”, resume Wolf.

Quando começou a receber injeções de insulina, Aline melhorou rapidamente e voltou a trabalhar. Mas vivendo apenas do salário na lanchonete, ela depende do atendimento no SUS. “Eu trabalho em uma rede de restaurante que trabalha principalmente com massas. O problema é sentir o cheiro, que é muito gostoso”, lamenta.
Aline conta que não conseguiu voltar ao médico desde que começou a tomar insulina, há cinco meses: ‘Eu não tive outra consulta pelo fato de não ter vaga com o médico que eu comecei a fazer o tratamento’.
O inconveniente de ficar tanto tempo sem controle é que o médico, quando receita insulina, não sabe exatamente quanta insulina o paciente vai precisar. Ele dá uma dose média, que serve para a maioria das pessoas. Só que às vezes uma pessoa não precisa de tanto e acaba tomando insulina demais. Outras precisam de mais, a dose é baixa e ela não consegue controlar.
Então como é que normalmente deve ser feito isso? Você deve tomar a insulina e depois faz o controle na ponta do dedo. O médico olha os valores da glicemia e sabe se está te dando a dose certa de insulina, ou se está dando muito – ou pouco. Ficar durante cinco meses sem a supervisão médica é muito ruim porque essa dose pode não ser a dose certa para você.
O medidor de glicemia é essencial para saber os níveis de açúcar no sangue. Sem o aparelho, Aline passou cinco meses com a doença mal controlada. “Eu estou nervosa, ansiosa, mas não estou sentindo os sintomas. Só a boca está seca”, admite.
O valor de 576 apontado pelo aparelho indica que Aline estava tomando uma dose baixa de insulina. Corria risco de ter complicações graves. “Eu tento procurar, todos os dias, saber mais sobre diabetes, mas ainda fico com aquele receio. Porque é minha saúde, é minha vida. Então deixa minha cabeça confusa. A adaptação está sendo difícil. Um dia você está de um jeito e levanta de outro”, relata.
“É difícil, porque as pessoas percebem. E fica meio pejorativo, porque todo mundo cai em cima falando: ‘Nossa, Aline, você está magra, você está feia”, aí uma diz que eu estou bonita. Eu não sei, às vezes as pessoas falam que eu estou com outro tipo de doença, porque não sabem realmente o que eu tenho. É isso que me entristece”, lamenta.

Fonte: Fantástico

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